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Preparando

Novas Ideias: 

Academia

A Nova

EIXO FORMAÇÃO

Se a educação fundamental quer uma revolução, não pode ser diferente no ensino superior. As empresas do futuro vão procurar funcionários com uma gama diversificada de habilidades, que combinam capacidades técnicas com inteligência emocional e social. Pesquisa da Deloitte de 2016 mostra a importância de se ensinar criatividade, empreendedorismo e resolução de problemas complexos em programas acadêmicos, tornando quase obsoleto o ensino que não considerar esses recursos:

"As habilidades priorizadas por escolas de pensamento linear são precisamente aqueles que os algoritmos são capazes de produzir, de forma muito mais rápida e confiável"

David Deming _ professor da Escola de Pós-Graduação em Educação de Harvard

Para se adaptar a essa demanda já tão evidente, o ensino superior tem modificado seus programas de ensino para incorporar 5 disciplinas estruturantes de um novo modelo mental e de uma nova configuração para as relações interpessoais:

Inteligência emocional

Intersetorialidade

Aprendizado multicanal

Sustentabilidade

Tecnologia imersiva

Muitas grandes empresas estão, inclusive, destacando a importância do brincar como forma de moldar força de trabalho do futuro. É como se as pessoas precisassem reaprender a ser pessoas, antes de se entender e se apresentar como profissionais. Isso afeta as grades e as abordagens de ensino. Nesse cenário, faz todo o sentido que as empresas e as marcas se coloquem como parceiras das universidades para gerar a força de trabalho que desejam contratar. Essa parceria é muito facilitada pelo sucesso do e-learning, que hoje já tem universidades importante assinando cursos dos assuntos mais diversos.

 

Diante de mudanças tão rápidas, o próprio e-learning é o responsável pelo boom da educação continuada para a maturidade. É preciso reconhecer que aprendizagem é um estado de entrega permanente, afinal, quanto mais a tecnologia avança, mais desejaremos nos atualizar. Afinal, o FOMO (fear of missing out) é um sentimento que marca a nossa era e todas as gerações estão expostas à presença dele. O próprio Linkedin, entendendo a importância disso, possui uma unidade de negócio chamada "Linkedin Learning", uma plataforma de aprendizagem online que permite que indivíduos e organizações atinjam seus objetivos e aspirações com ajuda do meio digital. Seu objetivo é ajudar as pessoas a descobrir e desenvolver as habilidades necessárias por meio de uma experiência de aprendizado personalizada e orientada por dados. Com mais de 570 milhões de perfis de usuários e bilhões de compromissos, é possível ter uma visão única de como empregos, indústrias, organizações e habilidades evoluem com o tempo. A partir disso, identificam-se as habilidades de que um profissional precisa ter e se podem ministrar cursos orientados por especialistas para ajudá-lo a obter essas habilidades. Com isso, o Linkedin acredita estar tirando a "adivinhação" do processo de aprendizado.

 

Outra novidade na educação é a aprendizagem socioemocional, responsável por combater depressão, ansiedade e estresse, que levou as escolas e introduzir empatia e resiliência no currículo. Seguindo o mesmo raciocínio, o sistema superior também entendeu que sua grade precisa incorporar necessidades profissionais de ordem prática. Por isso, está tratando a empregabilidade como um verdadeiro retorno sobre o investimento dos alunos, inclusive condicionando o pagamento dos cursos ao sucesso na obtenção de um primeiro bom emprego.

3.1

Human Learning, Not Machine Learning

Resumo: Cultivar a criatividade, desenvolver inteligência emocional e construir empatia são as habilidades que os robôs ainda não podem substituir.

Pesquisa sugere que a capacidade de brincar é mais importante ainda num mundo dominado por tecnologia. Muitas grandes empresas estão destacando a importância do brincar como forma de moldar a força de trabalho do futuro. O jogo permite cultivar a criatividade, desenvolver inteligência emocional e construir empatia – habilidades que os robôs não podem substituir.

Considerando que, das habilidades humanas, talvez a criatividade seja a mais difícil de se reproduzir por machine learning, esse é um passo mais estratégico que intuitivo da mentalidade de ensino.

 

“Isso é o que vai continuar nos garantindo um lugar na mesa da evolução", diz Viktor Mayer-Schonberger, professor de governança da internet e regulamentação, da Universidade de Oxford, em artigo de março de 2017 para a BBC. Dr. Peter Gray, psicólogo e professor no Boston College, argumenta que as crianças que brincam menos na infância têm aumento de desordens mentais, incluindo ansiedade e depressão, bem como um declínio da capacidade de ter empatia.

New Blood Shift é uma escola exclusivamente noturna, que procura cultivar os talentos criativos do futuro. Destinado a jovens com perfil inovador, mas que não possuem um diploma universitário, dedica-se a treinar os talentos inexplorados. A escola, livre de taxa de matrícula, explica que “Talento não é sobre onde você esteve ou quem você conhece. E não é sobre ter um grau universitário. O sucesso deveria ser pautado sobre habilidades cruas, vocação.”

3.2

Education Partnerships

Resumo: As marcas, na condição de empreendedores sociais, lançam parcerias educacionais que inovam a experiência de aprendizagem. 

Mudanças tecnológicas e sociais estão transformando as habilidades que as empresas vão exigir de seus empregados. Enquanto o sistema de educação global luta para acompanhar essas mudanças, as marcas atuam como empreendedores sociais, oferecendo seu apoio e parceria. Isto está lançando as bases para novas parcerias educacionais que trazem à tona o uma experiência de aprendizagem inovadora, responsiva e orientada para a realidade mais prática possível.

 

Um relatório de 2017 do Institute for the Future e da Dell Technologies prevê que “85% dos empregos existentes em 2030 ainda não foram inventados”. Isso significa que as empresas precisam antecipar as habilidades que o futuro exigirá e fabricar estratégias complementares de aprendizado. Investir em educação e no desenvolvimento dessas novas habilidades garantirá um futuro próspero e mais igualitário, do qual consumidores, instituições e marcas podem participar colaborativamente.

Em 2017, a escola de design holandesa Kolding uniu forças com a LEGO Foundation e o LEGO Group para estabelecer o Design for Play, um programa de mestrado de dois anos. Os alunos aprendem sobre a importância do brincar e da criatividade na educação, no trabalho e nos ambientes sociais. O Design for Play visa impulsionar estes valores e abordagens para o mundo mais amplo através dos seus graduados, provocando mudanças e melhores resultados no futuro.


Fabrica, um projeto do Grupo Benetton e de Oliviero Toscani, é um centro de comunicação e pesquisa com sede em Treviso, Itália. Fundada em 1994, o projeto prepara jovens disruptores sociais, que continuam sua prática de forma independente depois de deixar o centro. Relançado em 2018 sob a direção de arte de Luciano Benetton e Oliviero Toscani, Fabrica lançou iniciativas exclusivas, como Fabrica Circus 24 / 7x52, uma série de eventos conectando estudantes com profissionais e o público para estimular a discussão em torno de temas contemporâneos. 

3.3

Experiential Knowledge

Resumo: Ao participar do investimento em educação, marcas extraem inteligência direcionada para seu negócio e facilitam a construção de uma sociedade mais inclusiva.

Responder eficazmente aos desafios globais, como desemprego e mudança climática, requer colaboração e cooperação. Ao oferecer apoio transparente e imparcial aos educadores, as marcas podem facilitar o progresso e levar a sociedade a um futuro inteligente, sustentável e inclusivo.

 

Instituições de ensino estão lutando para se adaptar ao futuro do trabalho e apresentando uma oportunidade para as marcas fornecerem suporte. Investir em instituições incentiva o crescimento econômico e o progresso social, e ajuda a assegurar a estabilidade e o empreendedorismo social. Fornecer treinamento hoje expande possibilidades de emprego de amanhã – e as marcas já percebem isso. Escolas e universidades são investimentos de longo prazo para um futuro de alta qualidade.

 

A aprendizagem baseada em desafios é um modelo de educação prática e multidisciplinar desenvolvida pela "Apple Classrooms of Tomorrow - Today", um projeto em andamento iniciado pela Apple em 2008. Em 2016, o programa de aprendizagem baseado em desafios foi ativado com o lançamento da Developer Academy, uma parceria com a Universidade de Nápoles Federico II. O programa de um ano é dedicado a desenvolver aplicativos com foco em uma metodologia colaborativa e proativa. Alunos de diversas origens são convidados a experimentar o processo de aprendizado e adotar a tecnologia para resolver problemas reais.

 

A Microsoft e a escola Pearson se uniram para projetar novas experiências de aprendizagem misturando o físico e o digital. Anunciada em janeiro de 2018, a colaboração produzirá e implementará seis aplicativos que usam o HoloLens, da Microsoft, e outros headsets do Windows para imergir alunos em áreas de conhecimento, como saúde e história. "Trata-se de fornecer ferramentas digitais para professores e alunos, não substituindo aprendizado e ensino, mas aprimorando-o ", diz Michael Christian, diretor global da Pearson.

3.4

The Lifelong School

Resumo: Para dominar novas habilidades na era da automação, é preciso aceitar que a aprendizagem é um processo para toda a vida.

Já que o movimento da automação promete muitas mudanças no mercado de trabalho, também haverá esforços voltados à educação de adultos. É preciso dominar novas habilidades na era da automação. Como o jornalista Max Opray, do The Guardian, declarou: "A quarta revolução industrial é a economia do ‘sempre aprendendo’."

 

A SkillsFuture, em Singapura, e a ‘Compte Pessoal de Formation’, na França, fomentam uma cultura de lifelong learning, oferecendo para adultos contas pessoais com as quais eles podem comprar aprendizado. Outro expoente do movimento é o FutureLearn, um hub de educação onde se pode encontrar centenas de cursos gratuitos de alta qualidade, provenientes de importantes universidades e escolas do mundo: “Queremos criar uma comunidade de “lifelong learners” e prover os degraus entre um aprendizado e outro. As marcas também estão interessadas em investir. A Adobe lançou o Creative Summer School, uma plataforma para ‘turbinar’ as habilidades dos usuários de seus produtos.

 

"Vamos reconhecer que os empregos não são mais para a vida e a educação não é apenas para os jovens ", declara Maddalaine Ansell, CEO da A University Alliance (associação de universidades britânicas, cuja missão é impulsionar o crescimento e a inovação regional por meio de pesquisa, ensino e atividades empresariais).

3.5

Aprendizagem Socioemocional

Resumo: Programas universitários absorvem uma abordagem socioemocional da aprendizagem para combater depressão, ansiedade e estresse.

De acordo com o American College Health Association, as taxas de depressão, ansiedade e estresse em universitários continuam criando uma demanda por serviços que ajudem a priorizar e desenvolver habilidades para lidar com esses estados. Novos programas universitários estão apelando para a crescente demanda por uma abordagem socioemocional da aprendizagem, ao introduzir disciplinas escolares menos tradicionais, tais como empatia e resiliência.

 

Os programas especiais de Yale incluem um centro dedicado à inteligência emocional que trabalha para aproveitar o poder das emoções através de pesquisa e educação, e cria oportunidades de estudo que estimulam a colaboração entre departamentos que podem ser complementares, tais como drama e negócios, arte visual e neurociência, arquitetura e estudos ambientais.

3.6

Skill-Based Learning

Resumo: Integrar ao currículo tradicional habilidades mais práticas tornou-se garantia de maior retorno dos alunos sobre investimento feito na universidade.

Um relatório de 2017 da Fundação da Câmara de Comércio dos EUA (USCCF) descobriu que universidades são mais bem-sucedidas quando focam no retorno sobre investimento nos alunos e integram habilidades específicas relacionadas à prática (carreira) no currículo tradicional. Programas de graduação híbridos agora incorporam habilidades de aprendizagem e parcerias diretas com empregadores, enquanto startups de educação também são tendência.

 

MissionU é um programa que se concentra em disciplinas de alta demanda de habilidades sociais, tais como análise de dados, inteligência de negócios, colaboração e pensamento crítico. Para desenvolver esse programa, a startup de São Francisco trabalhou com empresas líderes em tecnologia, como Lyft e Spotify. Não há taxas de matrícula para a MissionU, pois os estudantes só pagam quando conseguem um emprego que os remunere com mais de US$ 50 mil por ano, quando a startup passa a coletar 15% do salário desse aluno por três anos.