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Preparando

Novos Humanos:

A Nova Educação

EIXO FORMAÇÃO

Se pudermos eleger a área mais crucial para uma mudança de mentalidade, que nos ajude a fazer uma transição saudável para a Quarta Revolução Industrial, essa é, por unanimidade, a educação. A educação é o princípio de tudo. O que aprendemos cedo na vida influenciará substancialmente a maneira como enxergaremos a realidade e que ferramentas usaremos para transformá-la.

 

De novos formatos pedagógicos ao uso de devices tecnológicos, tudo está se transformando na sala de aula da chamada ‘Geração Alpha’ (nascidos a partir de 2010), que será cada vez mais personalizada e customizada para os alunos. De acordo com algumas projeções, eles serão um boom demográfico, proveniente principalmente de lugares como a Índia, a China e a África. Isso deve gerar um grande impacto social e cultural no futuro, uma vez que grande parte da juventude ativa e criativa se encontrará fora do eixo ocidental EUA-Europa que conhecemos hoje.

 

Para atender às necessidades dessa geração, escolas e startups de educação adotam estratégias inovadoras e revolucionárias. Em primeiro lugar, os educadores estão buscando novas maneiras de preparar estudantes para tecnologias que ainda precisam ser inventadas. Para viabilizar isso, o currículo escolar está incluindo ferramentas e metodologias pouco ortodoxas, como gamification e design thinking, que devem se tornar conceitos educacionais permanentes na grade das escolas. Da mesma forma, a prática de mindfullness passa a integrar a grade de atividades fundamentais, afetando presença e concentração para um melhor aprendizado. Coerentemente com o que o mercado de trabalho tem exigido, criatividade e colaboração se tornam competências fundamentais a serem desenvolvidas desde o ensino fundamental. Modelos de aprendizagem estão considerando a saída do ambiente fechado da sala de aula e substituindo os exames tradicionais por vivência e experimentação. O ato de brincar ganha protagonismo no processo de aprendizado e o empreendedorismo, qualidade natural da geração Alpha, inspira um novo modelo de ensino, que dá mais liberdade para o aluno. Até mesmo regras centenárias de comportamento em aula estão sendo revistas ou até eliminadas, privilegiando uma expressão mais espontânea de identidade para quem aprende. 

2.1

A Escola Alpha

Resumo: Escolas e startups atenderão à Geração Alpha com estratégias inovadoras de educação para a era digital.

Codificação está prestes a se tornar tão importante quanto alfabetização para todos os alunos, não apenas aqueles configurados para se tornarem engenheiros de software. Educadores estão encontrando novas maneiras de se preparar estudantes para tecnologias que ainda precisam ser inventadas, e o Vale do Silício está cada vez mais vocal sobre o que o futuro precisa em instituições educacionais. Solução de problemas as habilidades natas são valorizadas em relação à aprendizagem baseada em assuntos. Gamification* e Design Thinking* se tornarão conceitos educacionais importantes para uma geração que precisará de criatividade e de uma abordagem colaborativa para sobreviver no mercado de trabalho futuro.

Gamification (ou gamificação) é uma técnica que usa jogos em situações que não são brincadeira. Significa usar elementos dos jogos de forma a engajar pessoas para atingir um objetivo. Na educação, o potencial da gamificação é imenso: ela funciona para despertar interesse, aumentar a participação, desenvolver criatividade e autonomia, promover diálogo e resolver situações-problema. – Geekie.com.br

Design Thinking É uma abordagem que busca a solução de problemas de forma coletiva e colaborativa, em uma perspectiva de empatia máxima com seus stakeholders (interessados): as pessoas são colocadas no centro de desenvolvimento do produto – não somente o consumidor final, mas todos os envolvidos na ideia (trabalhos em equipes multidisciplinares são comuns nesse conceito) – Endeavor.org

A Fluent City é uma escola de idiomas nesses moldes. Considera-se “a escola de cultura para o curioso insaciável”. A start-up de Nova York garantiu um financiamento de US $ 2,5 milhões em 2016 e hoje está aplicando seu ensino através de métodos não-convencionais e a chamada filosofia experiencial em áreas que vão além dos idiomas, como culinária, cultura e viagens. Acredita em cursos discovery-based e em aulas que se transformam em imersões de um mês inteiro. "Nós anseamos por uma vida próspera e multidimensional ” diz o CEO James Rohrbach. "Estamos construindo o primeiro hub multidisciplinar para esse tipo de aprendizado em rede e baseado em exploração de formatos.”

2.2

Rewilding Education

Resumo: Desiludidos com o sistema escolar, modelos de aprendizagem privilegiam o contato com a natureza em detrimento das avaliações tradicionais de performance.

Desiludidos com o sistema escolar, modelos de aprendizagem que pressupões contato com a natureza e a exploração do lado de fora da sala de aula pedem menos exames e mais vivência no processo de avaliação dos alunos.

De acordo com o aventureiro e viajante Ben Fogle, mais experiências em educação deveriam ser moldadas ao ar livre, porque a natureza é muito mais tangível e experimental do que qualquer sala de aula tradicional. Numa sociedade onde a tecnologia convida, cada vez mais, a brincar dentro de casa e em realidade cada vez mais virtual, experimentar o mundo lá fora deveria ser matéria obrigatória em escolas.

Deep Green Bush é o nome de uma nova escola alternativa da Nova Zelândia, onde a sala de aula é virada do avesso e os alunos passam a maior parte do tempo entre as árvores, aprendendo a pescar, caçar e cozinhar, inclusive fazendo seu próprio fogo. No Reino Unido, em um cenário único de floresta nativa, está o Jardim da infância de floresta Sevenoaks.


Sua fundadora, Caroline Watts, explica: “Aqui, estamos muito longe de quaisquer problemas criados pelo mundo moderno, ligados a administração, tecnologia e gerando tédio. As alegrias de cada estação estão presentes, enquanto coletamos castanhas com as formigas olhando e a água da chuva tocando o rosto”. Isso é o mundo real.

2.3

Sem Regras

Resumo: Escolas que experimentam modelos de ensino menos estruturados pretendem abolir muitas das regras que julgávamos fundamentais para o formato de educação.

A sensação de que a educação não está funcionando porque está muito desconectada das necessidades do nosso tempo é presente em muitas sociedades. Em resposta a isso, uma abordagem que pretende abolir regras está construindo escolas que experimentam modelos de ensino bem menos estruturados. 

 

Nas palavras de Krzysztof Zajaczkowski, professor-chefe da Drumduan School, uma escola escocesa, "A educação ainda responde a um modelo pós-industrial vitoriano. É preciso ampliá-lo, dar muito mais possibilidades para os jovens construírem sua resiliência, sua coragem e compaixão - habilidades para a vida – junto com habilidades acadêmicas. Para isso, mais ênfase será dada à promoção de um pensamento livre, independente e à educação emocional."

 

A Escola Berlin Center tem uma abordagem sem regras para o aprendizado. Sem notas, sem calendário, sem agenda. Os alunos decidem quais matérias estudar e quando querem fazer os exames. A escola se concentra em cultivar a confiança. A diretora Margret Rasfeld explica: “Olhe para crianças de três ou quatro anos - elas são todas cheias de autoconfiança. Mas, frustrantemente, a maioria das escolas tradicionais consegue, de alguma forma, minar essa confiança natural". 

 

Na França, a Ecolé 42 foi revolucionária. Criada pelo bilionário francês Xavier Niel, a universidade experimental de três anos é revolucionária em sua abordagem sem regras. Sem professores. Sem livros. Nenhum currículo. Os alunos seguem sozinhos no seu próprio ritmo, levando o tempo que precisam para concluir o curso.

2.4

Mindful Schooling

Resumo: Práticas de concentração, respiração e presença pressupõem abordagens mais holísticas para o processo de aprendizagem.

Uma reação contra o aprendizado conduzido por exames e uma maior conscientização sobre saúde mental levarão a escolas a experimentar abordagens mais holísticas para a educação. Práticas de atenção plena - como "desligar" e respirar ou exercícios de alongamento - tornaram-se populares em muitas empresas, e a pesquisa sugere que os estudantes de baixa renda que vivem em ambientes de maior stress poderiam experimentar muitos benefícios. “Não é irônico que ensinemos tudo aos alunos, exceto sobre eles mesmos?”, pondera Carlos Garcia, Superintendente do ‘San Francisco Unified School District’. 


Amanda Moreno, especialista em desenvolvimento infantil do Instituto Erikson de Chicago, estuda mindfulness em 30 escolas públicas de áreas de alta pobreza nos EUA. Acompanhando 2 mil alunos de pré-escolares até a segunda série, ela conclui: "as pessoas estão começando a perceber que produtividade e humanidade estão ligados na educação. As duas são compatíveis e necessárias uma para a outra”, diz em entrevista à ‘The Atlantic’. 

 

O programa The Quiet Time, da Fundação David Lynch, atende escolas de São Francisco, Califórnia, que apresentam grandes desafios com o comportamento juvenil, alta rotatividade de professores e lacunas de desempenho acadêmico. Introduzindo meditação para toda a comunidade escolar - alunos, professores e diretores – essa inovação restaurou efetivamente a cultura acadêmica e o bem-estar nas comunidades escolares e informa que as taxas de suspensão estão baixas e os resultados acadêmicos melhoraram substancialmente.

2.5

Alpha Play

Resumo: A previsão de que a Geração Alpha terá menos oportunidades de brincar, gera um alerta sobre a importância dessa atividade para o processo de aprendizagem.

A Geração Alpha desperta algumas preocupações. Há uma aposta de que esses nativos digitais tenham menos oportunidades de brincar do que nunca. Em pesquisa de 2017, encomendada pela Edelman Intelligence com 12.710 pais de Alphas em dez países, 56% dos entrevistados disseram que seus filhos passam menos de uma hora por dia brincando do lado de fora de casa. Uma em cada dez crianças nunca brinca fora e dois terços dos pais dizem que seus filhos brincam menos do que eles brincaram na infância.

 

Smartphones, videogames e uma agenda lotada de atividades seriam os maiores responsáveis por esses índices. Acreditando que as crianças precisam se realizar no campo acadêmico, nos esportes ou na música para "ter sucesso", os pais privilegiam essas atividades formais de aquisição de conhecimento, vendo no brincar uma trivialidade que pode ser sacrificada. 

 

Mas “brincar é uma abordagem fundamental para a aprendizagem, um compromisso divertido, uma maneira curiosa de descobrir o mundo”, afirma a doutora Catherine Tamis-LeMonda, professora de psicologia aplicada na New York University.

 

Preocupados com isso, a Learning Landscapes Initiative, nos EUA, visa criar oportunidades de aprendizagem em locais públicos. Uma delas é o projeto Urban Thinkscape, na Filadélfia, que envolve bancos de quebra-cabeças em paradas de ônibus, com jogos que desafiam a mente, projetados para desenvolver habilidades STEM (termo em inglês para ciência, tecnologia, educação e matemática). "As pessoas aprendem melhor quando são ativas, quando estão engajadas em vez de distraídas, quando são socialmente interativas e estão alegres", diz Kathy Hirsh-Pasek, pesquisadora sênior do instituto The Brookings Institution, de Washington. “O jogo livre reduz o estresse e permite que nossos filhos flexionem seu músculo empreendedor", diz ela.

2.6

Empreendedores Criativos

Resumo: Educação antecipa o treinamento de habilidades profissionais, colocando o brincar, o empreendedorismo e a tecnologia no centro do aprendizado.

Pais Millennials querem munir seus filhos com as habilidades que eles acreditam ser mais

valiosas na vida, e isso levou a um aumento da demanda por brinquedos, aplicativos e até acampamentos de verão que prometem desenvolver habilidades de negócios cedo na vida.

Uma nova onda de escolas, muitas delas fundadas por ex-executivos de tecnologia, colocam o brincar, o empreendedorismo e a tecnologia no centro do que fazem. A resolução de problemas através da colaboração e da criatividade está no cerne de seus valores. Isso é uma reação ao domínio de um regime no qual só as habilidades que seriam valorizadas em um futuro emprego interessavam à educação.

 

Financiada por empresários do Vale do Silício, a Portfolio School, em Manhattan,

ensina crianças a partir dos cinco anos e é projetada para operar mais como um local de trabalho que privilegia ideias inovadoras do que uma sala de aula tradicional. Ela está na vanguarda de um movimento de escolas startup que incentivam a aprendizagem através do brincar. "Eles nunca aprendem alguma coisa por um dia poderem precisar disso, mas porque precisam disso agora mesmo.” diz a educadora Shira Leibowitz.