7

Valores Humanos

e as Novas

Profissões:

do

Trabalho

O Futuro

EIXO

FUTURO

A existência da inteligência artificial convida à criação de novas categorias de trabalho, “eliminando milhões de cargos de nível médio e baixo e criando milhões de novas posições de alta qualificação” (Svetlana Sicular, vice-presidente de pesquisa do Gartner).

 

Um artigo da revista MIT Sloan, do Massachusetts Institute of Technology (MIT), cita um estudo global da Accenture PLC com mais de 1.000 grandes empresas que já estão usando ou testando Inteligência Artificial, e identificou o surgimento de categorias inteiras com atribuições exclusivamente humanas. São elas: Trainers, Explainers e Sustainers, ou seja, os que treinam, os que explicam e os que sustentam.

 

A primeira sugere que o mundo corporativo precisará de pessoas que ensinem os sistemas de inteligência artificial a operar certas sutilezas da comunicação humana. Os chatbots (robôs de atendimento ao cliente) precisariam aprender a ter empatia e saber fazer sarcasmo. A segunda categoria seria a que mistura os tecnólogos com os gestores empresariais, treinados para entender quando o sistema apresenta erro. E a terceira categoria seria a que garante que o sistema opere conforme planejado. Ou seja, é um futuro que nos obriga a aprimorar e desenvolver competências humanas dentro de tecnologia e serviços e que, definitivamente, criará profissões*. Um tanto menos apocalíptico que a previsão de 1995.

 

Além disso, essa inovação também altera a lógica da educação e do mundo acadêmico, uma vez que “Treinadores de empatia”, por exemplo, podem não precisar de um diploma universitário. Indivíduos inerentemente empáticos (uma característica mensurável) podem ser ensinados por um programa de treinamento interno da empresa. Por outro lado, uma série de novos cargos - ethics compliance manager, por exemplo – devem exigir graus e conjuntos de habilidades altamente especializados. Ambos os casos impactam os processos de recursos humanos nas empresas. O artigo termina afirmando, categoricamente, que “com tantas transformações tecnológicas, os desafios serão muitas vezes mais humanos do que técnicos.”

 

Para melhor investigar a origem dessas novas características que vão definir o mercado e as profissões, rastreamos as tendências dos últimos dois anos para chegar nas 3 maiores apostas dos especialistas para o futuro:

 

Cobot Revolution

O futuro é híbrido

A humanidade floresceu graças à colaboração. Nós humanos fazemos isso extremamente bem. Então por que não aplicar essa mesma relação colaborativa entre pessoas e máquinas? A indústria de robótica colaborativa está projetada para valer mais de US $ 1 bilhão até 2020, à medida que entramos em uma nova era de formação de equipes de robôs humanos.

 

SAM é um robozinho desenvolvido pela Construction Robotics que pode empilhar cerca de 3 mil tijolos por dia - mais ou menos o trabalho de seis pessoas - por uma fração do custo de contratar essas pessoas. O que não podíamos prever anteriormente é que a introdução da ‘robótica colaborativa também poderia ajudar a criar um tipo de força de trabalho fundamentalmente diferente daqueles que conhecemos. O relatório de 2016 do Fórum Econômico Mundial, O Futuro dos Empregos, sugere que as tecnologias disruptivas podem ter mais impacto nos perfis de emprego existentes do que no próprio trabalho. Isso significa que a automação integrada, em vez de substituir completamente um funcionário, seria usada para executar tarefas físicas repetitivas ou simples com maior eficiência, o que, por sua vez, permitiria que um funcionário buscasse outros aspectos mais criativos de sua função. Isso também permitiria que os funcionários desenvolvessem novos produtos ou aprendessem conjuntos de habilidades relevantes à medida que o mercado mudasse, criando uma força de trabalho flexível e capaz de se adaptar sempre que necessário. A complementação de funções existentes com robótica colaborativa será fundamental quando se trata de recrutamento e retenção de talentos futuros, especialmente para as gerações nativas digitais e para os Millennials.

 

Já estamos vendo uma integração automatizada significativa em campos especializados. O IBM Watson está sendo usado atualmente em 45 países por 20 setores, fornecendo soluções de processamento de dados, diagnóstico e análise. Em uma área como a da saúde, a capacidade do Watson de processar grandes volumes de dados com precisão e rapidez é inestimável para os oncologistas, que precisam personalizar tratamentos para casos complexos com bastante rapidez. No projeto CoBots, da Carnegie Mellon University (Estados Unidos), os robôs e os humanos têm uma relação simbiótica, que acontece em tempo real. As máquinas aprendem colaborando com as pessoas ao seu redor e, se não conseguirem resolver um problema, simplesmente pedem ajuda ao humano mais próximo.

 

HoloLens, da Microsoft, é um dos principais headsets de realidade aumentada encontrados no mercado hoje. Ele já se estabeleceu como uma ferramenta colaborativa em áreas como design industrial e engenharia. Suas sobreposições digitais permitem que o sistema renderize modelos gerados por computador em ambientes reais, acelerando o processo de prototipagem exponencialmente. Também permite que vários usuários colaborem entre si em projetos individuais.

 

A italiana Comau, parte do grupo Fiat, está usando o HoloLens na fabricação de peças automotivas e no monitoramento de seus robôs. A interface, de mãos livres, é conduzida por gestos e permite que um supervisor humano reaja naturalmente aos dados gerados em tempo real no chão de fábrica.

 

O Project Emma é um dispositivo 'wereable' inicialmente criado para ajudar uma pessoa específica que sofre de Parkinson, Emma Lawton, a compensar os tremores intencionais em suas mãos. Essa moça de 29 anos, designer e diretora de criação, temia que o diagnóstico significasse o fim de sua carreira. Trata-se de um dispositivo biomédico, tecnologia entitulada 'Emma Watch', que ajudou Emma a recuperar o controle de sua mão na execução de tarefas simples de desenho e escrita.

 

Code Create

Reescrevendo os códigos de criatividade

De códigos biológicos a códigos de vestimenta, passando por códigos de comportamento, logo será possível reprojetar quase tudo. A natureza e a tecnologia serão intimamente misturadas para criar novos sistemas, materiais e produtos que fundem os mundos físico e digital.

 

A economia do DNA vai impactar uma ampla gama de indústrias, de alimentos à moda, e ver o crescimento das empresas ‘direct-to-consumer’, que colocam as pessoas no comando de como seus dados genéticos podem ser usados. O sequenciamento de DNA combinado com o aprendizado da inteligência artificial permitirá um nível extremo de personalização. Até 2022, o mercado de testes genéticos deverá atingir 10,04 bilhões de dólares globalmente. De códigos biológicos a códigos de comportamento, logo será possível a reengenharia de quase tudo.

 

Empresas como a 23andMe e a AncestryDNA realizam testes genéticos, tanto para entretenimento como para grandes negócios.

 

A medicina de precisão irá revolucionar a saúde. A decodificação do DNA reduz o desperdício farmacêutico e permite diagnósticos mais precisos. Não haverá mais efeitos colaterais desnecessários nos remédios de uso mais comum e poderemos falar, inclusive, em remédio feito sob medida.

 

Frustrados com os "custos crescentes do tratamento médico", a Amazon, a Berkshire Hathaway e o JPMorgan Chase estão se unindo para formar uma empresa de saúde independente nos EUA. A Apple está fazendo o mesmo com a AC Wellness - uma cadeia de clínicas médicas independentes para funcionários, que será inaugurada em 2018. A China é líder global em medicina de precisão (pesquisa, diagnósticos e cuidados baseados em dados genéticos), e deve investir US$ 9 bilhões no setor até 2021.

 

Uma lista crescente de planejadores urbanos e ambientalistas acredita que o futuro do nosso planeta está nas 'Cidades Positivas', que estão focadas em fazer mais bem, ao invés de menos mal. Isso inclui o uso de resíduos para gerar energia, bem como a construção de comunidades onde as pessoas podem viver e trabalhar no mesmo bairro.

 

O aeroporto OAC, na Noruega, será auto-sustentável, alimentado exclusivamente por energia renovável e usando a tecnologia de resíduos inteligentes. E também é projetado para ser socialmente sustentável, impulsionando o crescimento regional através da criação de empregos e eventos comunitários.


Tóquio usará as Olimpíadas de 2020 para impulsionar uma sociedade de hidrogênio, gastando US$ 348 milhões em estações de reabastecimento de hidrogênio e outras infraestruturas. Mas não se trata apenas de reduzir a carga sobre o meio ambiente - a nova fonte de energia também criará novos empregos, e o Governo Metropolitano de Tóquio espera que isso estimule as economias das comunidades locais.

 

Designing Emotion

A emoção no centro de tudo

O quociente emocional (QE) está emergindo como uma habilidade não só desejada como essencial na vida profissional e muitas empresas estão investindo em treinamento de funcionários para garantir isso. Ao mesmo tempo, o terceiro setor está sendo entregue a sistemas automatizados. Devemos nos perguntar como as empresas podem construir inteligência emocional em serviços e na cadeia de valor? Como atender a consumidores que se importam com os valores das empresas de quem contratam serviços e compram produtos? Como refletir esses valores nas marcas e como garantir uma relação mais emocional com consumidores, como um contrapeso a tão alta tecnologia?

 

À medida que os humanos se tornam mais digitais, a tecnologia se tornará mais humana.

 

Para o CEO do LinkedIn, Jeff Weiner, líderes de sucesso não alcançam grandeza por acidente. Ao longo de suas carreiras, eles estabelecem princípios que são fundamentais para a maneira como abordam seus papéis. Esses princípios começam com um gerenciamento compassivo. Enquanto alguns podem interpretar mal a compaixão como suavidade ou maleabilidade, ele argumenta que a compaixão verdadeiramente incondicional pode na verdade exigir força de super-heróis. É um ideal que desafia a confiança, o senso de identidade e o comprometimento com a visão, apesar das dúvidas internas e críticas externas. O segundo curso de aprendizado do LinkedIn do Jeff, On Compassionate Management, ensina aos espectadores o que significa "aspirar a administrar com compaixão". Ele o descreve como um trabalho constante em progresso, pois a compaixão não é condicional. Essa abordagem será inevitavelmente mais fácil ao gerenciar funcionários com perspectivas semelhantes, no entanto, ela precisa ser estendida a todos, de cima para baixo em uma organização, para realmente gerar valor a longo prazo.

 

Estudo de 2017 do Google descobriu que seus melhores gerentes são mais ricos em QE do que em QI. Mas foi o capitalista bilionário Mark Cuban que solidificou o valor de Inteligência Emocional quando disse, em uma conferência da AOL, de 2017: "Em 10 anos, um diploma em filosofia da arte mundial valerá mais do que um grau de programação tradicional.”


A Ford declarou: "Estamos treinando nossos engenheiros para serem melhores em reconhecer seus próprios sentimentos e em ler os dos outros. Uma pessoa irritada pode causar problemas, uma pessoa feliz está interessada em colaborar, e uma pessoa estressada quer conversar”.


O desenvolvimento da inteligência artificial tornará possível projetar emoção em nossas interações com as máquinas.

 

A Alexa pode rir e contar piadas. A Apple recentemente patenteou um sussurro para Siri e o Google Assistente está ocupado melhorando sua entonação de voz. As máquinas estão se tornando mais humanas, pelo menos na superfície. Mas o que isso significa para o nosso relacionamento com eles e como nos sentimos humanos em comparação com eles? Personalidades artificiais estão sendo aprimoradas. A voz está se tornando a principal interface humana com a tecnologia. E em 2020, a emoção será a aposta do design de tecnologia.