6

Reconhecimento

Financeiro:

Remuneração

EIXO MERCADO

Não é automático pensar no dinheiro virtual como um influenciador direto das decisões profissionais que Millennials e Zs estão tomando hoje. Mas quando se leva em conta que o sistema financeiro tradicional pode deixar de ser soberano na economia capitalista, abre-se espaço até para o escambo como forma de oferecer e obter serviços. Agora podemos falar em moedas sociais. Isso muda a relação entre contratante e contratado, muda o acesso à educação e a serviços e muda a economia.

 

Rumo a uma maior automação se sistemas e serviços, o futuro da remuneração sugere uma transição da sociedade focada no dinheiro físico para um sistema digital, o que está sendo rapidamente conduzido pelos avanços tecnológicos. Cerca de 23 bilhões de cédulas de dinheiro foram retiradas da economia da Índia, a nota de €500 vai parar de ser fabricada em 2018 e pequenas empresas começarem a recusar dinheiro de seus consumidores. Mas há um contraste curioso entre países de economia estável e países em desenvolvimento, que sugere que o dinheiro físico ainda está longe de morrer.

 

Pesquisa da International Journal of Central Banking, de 2016, revelou que os indivíduos das nações em desenvolvimento estão mais interessados em adotar um sistema sem dinheiro do que aqueles que vivem em países mais ricos (por exemplo, 42% na Turquia em comparação a 21% na Grã-Bretanha). Na África e na América do Sul, as criptomoedas são cada vez mais proeminentes, graças ao alto valor cobrado para transações que envolvem os bancos. Por outro lado, a mesma pesquisa revelou que 59% dos entrevistados consideram o pagamento em dinheiro mais seguro, o que é de se esperar em uma época que precisa discutir seriamente a privacidade dos dados. O grande desafio das moedas digitais é, sem dúvida nenhuma, a segurança. Mas seguida dela, podemos apostar que o desafio é a transparência, que é justamente onde o sistema financeiro tradicional peca.

 

O fato é que quando a Geração Alpha já estiver ganhando salário, as criptomoedas deverão exercer um papel muito mais importante na economia, e um número cada vez maior de iniciativas está familiarizando as crianças com esse conceito. Mas é preciso educar crianças e adultos desde já nesse contexto, pois há uma mudança importante de mentalidade em curso.

Estamos vendo o desabrochar de moedas sociais, que eliminam o dinheiro da jogada e privilegiam trocas de ‘favores’ entre marcas e consumidores. Em países em desenvolvimento, os ‘localtivistas’ estão determinados a manter o dinheiro em suas comunidades, defendendo-se das instituições em quem não confiam ou que tornam caras as transações financeiras. Essa mentalidade foi possível graças ao surgimento das criptoeconomias, o que deu a sensação de independência para os indivíduos e permitiu as transações peer-to-peer (do inglês par-a-par)*. Em um futuro de transações digitais, é até possível pensar nas pessoas como o próprio dispositivo de pagamento, eliminando até os smartphones da intermediação de uma transação.

 

* Com sigla P2P, é uma arquitetura de redes onde cada um dos pontos da rede funciona tanto como cliente quanto como servidor, permitindo compartilhamentos de serviços e dados sem a necessidade de um intermediário.

6.1

Dinheiro para as Gerações Y, Z e Alpha

Resumo: Millennials são uma geração ansiosa e mal informada sobre dinheiro; a Geração Z está sendo preparada desde cedo para administra-lo; e a geração Alpha se depara com uma complexidade tecnológica que dificulta sua financeiramente, mas é quem mais cedo vai ter que lidar com transações digitais.

Y:

A maioria das inovações fiscais foi projetada priorizando segurança e eficiência, mas a Geração Y precisa de mais do que transações eficientes para sanar sua falta de conhecimento financeiro. As startups estão começando a tratar desse abismo de conhecimento e, ao mesmo tempo, a reconhecer que Millennials respondem melhor à marcas e produtos que se alinhem às suas prioridades e entreguem benefícios num formato que facilite a sua vida.

 

A abordagem da Finimize, voltada 100% para essa geração, é a de condensar matérias importantes dos noticiários financeiros em uma newsletter diária, fácil de digerir – além de dicas de economia e investimentos. O aplicativo TransferWise, financiado pela “The Richard Branson”, se apresenta como um método antissistema 'transparente' de transferência monetária. O Square Cash é uma 'conta sem conta', em que transferências podem ser feitas por e-mail por meio de um relógio inteligente. Um sistema criado pela empresa Dwolla permite que o usuário faça doação para organizações sem fins lucrativos a cada transação.

Z:

Para prevenir o abismo existente em relação ao conhecimento financeiro que acometeu os Millennials, a Geracão Z já está sendo bem preparada para lidar com dinheiro. Um estudo de 2017 feito pelo The Center for Generational Kinetics em Austin, Texas, revelou que 12% dos jovens de 14 a 21 anos já estão economizando para a aposentadoria, que 21% já tinha sua primeira poupança antes dos dez anos de idade e que mais da metade (56%) discutem sobre poupança com os pais. "A Geração Z deve se tornar mais influente do que a Geração Y e isso está acontecendo depressa", afirma Jason Dorset, Presidente do Center for Generational Kinetics. "Seu comportamento financeiramente conservador e prático permite com que os jovens dessa geração já se tornem parte de negócios e da economia, apesar da pouca idade."

 

A maioria das grandes operadoras financeiras, incluindo Mastercard, Visa e American Express, já oferecem cartões de pagamento pré-pagos, que não só permitem que menores de idade tenham um gostinho do mundo financeiro, mas também mostram como funciona a ideia das transações sem dinheiro desde o início. As startups como a goHenry e a Greenlight têm seu alvo voltado diretamente para a geração que prioriza os dispositivos móveis. Os cartões pré-pagos e aplicativos de rastreamento conectado dessas startups são voltados para jovens de 6 a 18 anos. Os pais podem carregar os cartões com dinheiro e estipular o limite a ser gasto em determinadas lojas e os filhos conseguem rastrear suas próprias despesas e economias.

Alpha:

É mais difícil ensinar o valor do dinheiro em um mundo onde cartões de crédito, depósitos diretos, transferências eletrônicas, microdoações e pagamentos feitos com celular estão se tornando comuns. Soma-se a isso a importância cada vez maior das criptomoedas, uma sociedade marcada por crises e austeridade financeiras e um mercado de trabalho onde o empreendedorismo é uma carreira válida para os jovens. Uma nova leva de fintechs startups está encontrando meios de ensinar o valor do dinheiro às crianças e, ao fazer isso, está criando um novo sistema bancário. O marketing dessas empresas busca educar sobre conceitos econômicos, mais do que fornecer um modo conveniente de estimular o uso do dinheiro em um mundo de pagamentos automáticos. Isso sugere que as fintechs entendem que os pais de hoje em dia valorizam a educação financeira de um jeito que as gerações anteriores nunca fizeram.

 

Cartões pré-pagos, como GoHenry, Osper, Piggy, Spriggy e Nimbl, permitem aos pais carregá-los com dinheiro para que crianças de seis anos ou mais possam usar fazendo saques em terminais de autoatendimento, comprando on-line e realizando pagamentos automáticos. Para o bem e para o mal, esses serviços também permitem aos pais monitorar e controlar os gastos dos filhos. O Robin é um aplicativo financeiro para crianças e segue o conceito de gamificação, ou seja, usa recursos de jogos no contexto da educação.

 

A Banqer, uma startup neozelandesa, ensina às crianças noções básicas do sistema bancário na sala de aula. Desde cedo, ela dá exemplos de como integrar a educação financeira no dia-a-dia escolar. O aluno "abre" sua própria conta bancária com "dinheiro" dado pelos professores, de acordo com a conclusão das tarefas. Os fundos são usados para comprar novos livros ou outros equipamentos. O sistema também permite que as crianças paguem impostos e façam empréstimos.

6.2

Localtivismo

Resumo: Em países em desenvolvimento, os localtivistas estão determinados a manter o dinheiro em suas comunidades, uma consequência da queda de confiança nas instituições.

Da China ao Brasil, o ceticismo existe e está crescendo. Segundo o relatório de pesquisa mundial "Government at a Glance", da Gallup e OECD de 2016, a confiança global nos governos despencou de 70% para 42% em 2009. Qual é a alternativa? À medida que as pessoas sentem que países e governos não têm mais poderes para lidar com as questões do mundo atual, os cidadãos acreditam que cidades e áreas metropolitanas devem cuidar do próprio futuro. E eles estão assumindo o controle, inclusive no que for possível em relação à sua realidade financeira.

 

Com a ameaça da automação rondando o mercado de trabalho, os localtivistas estão determinados a manter o dinheiro em suas comunidades. Mais do que patriotismo, o que importa agora é a sobrevivência da comunidade. Grant Henninger, planejador urbano e fundador da On Prosperity’s Road, uma ONG que propõe ações locais para resolver problemas globais, lembra que "cada dólar gasto localmente é um dólar reinvestido na comunidade."

 

Na África do Sul, o novo movimento "Be Local-Buy Local" tem ganhado força por duas razões: ele apoia os empreendedores locais e celebra as tradições africanas. Trevor Stuurman, promotor da cultura sul-africana, acredita que isso vai estimular a economia e que "os africanos precisam monetizar a própria cultura", citando o mercado de joias de luxo como exemplo.

6.3

Criptoeconomia Local

Resumo: À medida que a confiança nas instituições financeiras tradicionais despenca, os localtivistas estão experimentando novos meios e testando as criptomoedas.

Em uma palestra do TED Talk de 2016, Neha Nerula, diretora do Digital Currency Initiative do MIT, descreve o futuro do dinheiro como "algo programável. Quando unimos software e moedas, o dinheiro não é mais apenas uma unidade estática de valor e não precisamos depender de instituições que forneçam segurança”. Por isso, os localtivistas estão experimentando novos meios e testando as criptomoedas.

 

A Cityshares, moeda digital da cidade de Austin, no Texas, estimula os moradores a investirem no comércio local por meio de transações pelo site Cityshares.com, enquanto a Austin.City oferece reservas de hotéis e restaurantes, além de produtos feitos por artistas locais. O objetivo da empresa

é fomentar transações diretas entre comércios e clientes, cortando intermediários que cobram pequenas taxas de serviço, como Expedia ou Booking.com.

 

Em 2016, Dubai lançou a sua moeda digital, a emCash, enquanto que em Hull, uma cidade no nordeste da Inglaterra, a criptomoeda lançada em 2015, a HullCoin já está em alta. No Brasil, o bitcoin teve seu pico, virou frisson e colocou muitos investidores moderados a começar a pensar em criptomoeda.

6.4

Moeda Social, Não Financeira

Resumo: Moedas sociais eliminam inclusive o dinheiro da jogada e privilegiam trocas de ‘favores’ entre marcas e consumidores.

A potência das transações em rede, sem intermédio de um banco, está levando a um verdadeiro desabrochar de moedas sociais: as que eliminam inclusive o dinheiro da jogada e privilegiam trocas de ‘favores’ entre marcas e consumidores.

 

Os varejistas Marc Jacobs e Kenzo alavancaram as plataformas de seus clientes em 2014 (via Tweet Shop e pop-up digita) conseguindo muita cobertura de notícias e em mídias sociais. A evolução da moeda social é uma estratégia "pay-for-play", o que dá aos compradores crédito de loja e/ou dinheiro por postagens feitas em de mídias sociais.

 

Mesmo a tempo das férias, a One Piece lança o Piece Keepers, uma moeda na loja com base nos compartilhamentos de mídia social dos usuários. As recompensas dos compradores são baseadas em seguidores e/ou quantidade de postagens. Empresas de moeda social estão surgindo; O popular Pays e Tsu oferecem "regalias" (refeições gratuitas, estadias em hotéis) em troca de posts nas mídias sociais.

6.5

Transações Peer To Peer

Resumo: Em um futuro de transações digitais, as pessoas serão as próprias instituições de pagamento.

De acordo com a BI Intelligence, as realizações de pagamento de "pessoa para pessoa" (PPP) em dispositivos móveis nos EUA devem subir para US$ 336 bilhões até 2019. Somente em 2016, a Venmo processou mais de US$ 20 bilhões em pagamentos e a taxa de absorção do aplicativo tem um aumento anual de 13%. O mercado de pagamento PPP atualmente está saturado, mas os novos avanços em IA, bots e tecnologia blockchain passam a segmentar o ramo. Os aplicativos de pagamento PPP dependem basicamente das conexões entre os usuários. Portanto, as redes sociais e plataformas de mensagens são territórios férteis para a expansão.

 

Com mais de 1 bilhão de usuários em todo o mundo, o Facebook Messenger anunciou em abril de 2017 a ampliação do seu serviço de pagamento PPP, permitindo pagamentos entre pequenos grupos, depois do sucesso de aplicativos similares, como o Mypoolin. Em 2017, a Airbnb adquiriu a Tilt, uma promissora startup do setor que originalmente ganhou popularidade nas universidades dos EUA ao convergir elementos da tecnologia de crowdfunding e marketplace. A Tilt deverá se tornar uma provedora completa de serviços de viagem, focada em adaptar sua tecnologia para permitir que turistas dividam facilmente os custos entre grupos.